Markus Exenberger, engenheiro: 'Todo indivíduo será produtor de energia no futuro'

Rio de Janeiro - "Nasci no Oeste da Alemanha, numa cidade perto de Bonn, há 49 anos. Passei os últimos 22 anos fora da Europa, vivendo em países da Ásia, Oceania, África e América. Nos últimos cinco, estive em Uganda. Agora, cheguei ao Brasil, onde nasceu meu quarto filho, Leo."

Conte algo que não sei.

Todo indivíduo vai se tornar um produtor de energia no futuro. Não vemos isso agora, mas eu prometo que, em 20 anos, cada brasileiro estará produzindo sua própria energia.

Como isso vai acontecer?

Isso está na pauta da transição energética alemã. Que todos produzam sua energia e coloquem num grid de transmissão principal. Essa é a verdadeira revolução. O poder — e não falo só da energia, mas do poder de escolha — diz respeito ao povo, e ele tende a ser democrático, porque o indivíduo poderá escolher quanto vai produzir, quanto vai usar e qual o preço vai querer pagar. Isso representa, também, algumas obrigações, mas, no fim, significa independência para todos.

Há um prazo para mudanças nas fontes de energia?

Segundo o senso comum, se a temperatura aumentar mais do que 2°C neste século, vamos enfrentar problemas muito sérios. As conferências de Paris e de Marrakesh colocaram 1,5°C como meta. Sabemos que é um desafio. As atitudes que precisamos tomar se tornam maiores a cada ano. Temos metas até 2020, metas até 2025, cada vez mais ambiciosas. Precisamos mudar toda a nossa mentalidade.

A mensagem sobre o aquecimento global está errada?

O mundo enfrenta a questão de um jeito negativo. Temos que repetir a mensagem, explicá-la. Acho que a mensagem é: você não deve esperar os políticos tomarem uma decisão. Depende de nós. Se estivermos engajados em combater as mudanças climáticas, se meus filhos apagarem as luzes pela manhã, se mudarmos hábitos, vamos dar um passo importante. Educação é fundamental. E não funciona se só os professores falarem e os pais fizerem o contrário em casa.

O alto custo ainda é um argumento contra as energias renováveis?

É uma mentira. Na Alemanha, a energia nuclear é sempre citada como fonte energética barata. Mas há o lixo nuclear, que não sabemos como armazenar. Para construir todos os locais de armazenamento necessários, gastaríamos ? 30 bilhões, ? 40 bilhões. Coloque na mesma fatura tudo o que agora precisa ser feito para limpar a atmosfera, e o preço do carvão e do óleo é muito maior do que se considera. Por outro lado, nos últimos quatro anos, o preço dos sistemas de placas fotovoltaicas caiu 60%. Estamos chegando a um ponto em que energias renováveis são mais baratas que os combustíveis fósseis ou energia nuclear, mesmo sem esses custos adicionais.

Como funciona o mapa de incidência de sol do Rio, elaborado pela cooperativa que representa?

Foi feito para cada casa, em particular. Não é um estudo sobre a incidência de sol no Rio. É uma ferramenta para cálculo de custos e retorno do investimento de ter um sistema solar em sua casa ou seu prédio. Está disponível na internet, não custa nada.

Por que Alemanha se interessa em ajudar o Brasil?

O Brasil passa por uma nova crise, agora, mas os potenciais são enormes. Vocês são líderes mundiais em energias renováveis, e vão continuar sendo por 30 ou 40 anos. Isto é algo enorme. Todo euro que a Alemanha puder gastar no Brasil para combater as mudanças climáticas é muito mais bem investido do que na Alemanha. O pior local do Brasil tem 40% mais de incidência de sol do que o melhor lugar da Alemanha. A floresta tropical é um dos pilares do nosso mundo. E vocês têm a floresta, nós não. Ajudar a protegê-la é um desafio mundial.

Fonte: O Globo Online - 02.12.2016

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