A Importância da Maquete no apoio Projetual

O homem, desde tempos antigos, sente a necessidade de visualizar suas idéias para melhor entendê-las e
exibí-las. As maquetes fazem parte dessa história e são até hoje, utilizadas com o mesmo propósito, por
exemplo na arquitetura moderna. A importância da utilização de maquetes na representação dos projetos é determinada por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, devido à especialização geral do desenho técnico introduzida pela utilização do computador, as técnicas tradicionais de representação sintética parecem ter adquirido uma nova vitalidade, pela sua própria capacidade de resumir de modo imediato as características de um projeto complexo. Por outro lado, a utilização de técnicas alternativas e de hábitos de composição associadas a estas é pouco freqüente nas instituições de ensino. Ao contrário, estas instituições dão uma extrema importância ao estudo das técnicas de desenho e da elaboração das maquetes arquitetônicas. No entanto, consideramos de notável interesse a interpretação das técnicas de síntese material, que encontram uma aplicação válida também nas escolhas dos materiais a ser utilizados nas maquetes.

Se no início dos anos 90 o debate sobre o tema articulava-se entre posições extremas – contestação e recusa, de um lado, e aceitação e apologia, de outro – atualmente os debates convergem para a configuração de relações complementares entre o desenho feito à mão, a representação eletrônica e a modelagem manual.

Interessa aqui explorar o aspecto específico da representação tridimensional da arquitetura e comparar, suas características e possibilidades, nos meios eletrônicos e nos meios manuais.Para tanto é interessante apresentar uma noção básica da modelagem na arquitetura.

O termo modelagem é dúbio. Tanto pode ser uma operação de representação da forma tridimensional no plano (como um desenho em perspectiva, por exemplo), quanto pode ser uma composição tridimensional no espaço. Ou seja, a representação de uma arquitetura numa superfície plana (numa folha ou numa tela) por meio de recursos artísticos de perspectiva é modelagem. Assim como também é modelagem a construção de uma maquete de arquitetura. No senso comum, no entanto, predomina em português a noção de que a modelagem é uma ação formativa essencialmente material e tridimensional.

Ao longo da história da arquitetura, na produção arquitetônica que pretendia ultrapassar estilos, modismos e modelos prévios em prol de novas soluções espaciais e construtivas, a modelagem tridimensional como eido-poiéosempre esteve integrada como um recurso indispensável de projeto.

Há diversos exemplos deste uso criativo da modelagem desde a Antigüidade romana (4), passando por Brunelleschi (séc. XV), Michelangelo (séc. XVI), El Lissitsky, Gerrit Rietveld e Moholy-Nagy nos anos 20, Buckminster Fuller, o grupo Archigram e Constant Nieuwenhuis entre os anos 50 e 70, e, mais recentemente, como pôde ser visto na última Bienal de Arquitetura em São Paulo, Enric Miralles e Christian de Portzamparc.

Cabe salientar que, mesmo num futuro próximo, a eventual vulgarização de sistemas CAM não substituirá em absoluto a modelagem manual. Afinal são modelagens complementares, cada qual com suas características, possibilidades e limites. O sistema CAM pode ser mais preciso e mais veloz, mas é também mais caro, fechado (não permite alterações entre o envio do arquivo e a finalização da modelagem) e restrito (a um pequeno grupo de materiais que podem ser adaptados a seu sistema de modelagem).

Não há dúvida de que a modelagem tridimensional é o único meio de representação que compartilha as qualidades inerentes e indissociáveis da arquitetura (materialidade, espacialidade e processo construtivo). E foi justamente a partir de um certo consenso quanto à importância da tridimensionalidade na representação da arquitetura que a super-valorização dos recursos eletrônicos eclipsou, nos últimos anos, a modelagem manual. Como visto aqui, na prática, os recursos eletrônicos 3D não resolveram – e a princípio não resolverão sozinhos – a questão da representação tridimensional.

Hoje, a crítica aos limites da informática abre espaço para a pesquisa de relações complementares entre o desenho manual, as representações eletrônicas e a modelagem. Estas pesquisas, cada vez mais, reconhecem na “velha” modelagem manual uma experiência construtiva real, seqüencial e multisensorial que, mais do que um simples recurso de representação, pode se constituir em um processo investigativo de conhecimento e criação da arquitetura.

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Tags: Arquitetura, Maquete, Projetual, apoio

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